Notas Musicais

Jogo do Dinheiro novo filme de George Clooney

com Julia Roberts no elenco merece ser visto

Notas Musicais Thiago Lustosa 30 de maio de 2016 20:18h

À primeira vista,  Jogo do Dinheiro parece um básico suspense de sequestro - homem armado invade programa de TV em busca de vingança. É arquitetado para criar tensão, mesmo que seu final seja previsível. Nas mãos de Jodie Foster, diretora acostumada a dramas familiares, essa premissa se transforma. É a condução dos personagens, não das ações súbitas, que prende o espectador.

George Clooney encarna perfeitamente Lee Gates, o “mago das finanças” do programa Money Monster, sempre disposto a partir para a apelação por um pouco mais de audiência. Patty Fenn, uma solitária diretora de TV interpretada por Julia Roberts, é a sua consciência, a grande negociadora entre o apresentador e Kyle Budwell (Jack O'Connell), o desesperado entregador que invade o cenário com uma arma em mãos e dois coletes recheados de bombas. O verdadeiro alvo é Walt Camby (Dominic West), magnata que acaba de perder US$ 800 milhões em função de uma suposta falha nos computadores da sua empresa.

Nesse cenário, Foster trabalha o roteiro de Jamie Linden, Alan DiFiore e Jim Kouf de forma inesperada. São pequenos trechos de diálogos, a inversão de certos clichês e uma escalação certeira de elenco que tornam Jogo do Dinheiro maior do que a situação extrema que desenha o seu enredo. Quando parece seguir por um caminho, o filme opta por outro, em uma sucessão de ironias que ampliam a história e seus personagens com um bem-vindo toque de humor. Há comentários sobre grandes corporações e ganância, mas o que interessa à diretora são as pessoas que circulam por esse mundo superficial.

O longa tem a agilidade de um programa de TV ao vivo, com diferentes ângulos, cortes rápidos e uma urgência na transmissão da informação. Uma estética que serve quase como metalinguagem ao estabelecer um debate sobre a forma como o conteúdo é transmitido e absorvido pelo público. Esse poderia ser um suspense qualquer, mas Jodie Foster usa o gênero como um exercício, um estudo para ampliar a sua capacidade como cineasta.

Não é um filme perfeito, já que exige certo engajamento para que se vá além das linhas gerais de uma narrativa batida - o que grande parte da crítica não estava disposta a fazer. Suas inúmeras camadas, porém, não deveriam ser ignoradas. Há entretenimento para o espectador convencional, satisfeito em se ver familiarizado com a trama e os astros que a habitam, e há detalhes para o olhar cinéfilo, que pode se deixar intrigar pelo subtexto deixado por Foster. Uma façanha que certamente vale o dinheiro do ingresso.


Por  NATÁLIA BRIDI