Notas Musicais

Capitão America - Guerra Civil, crítica deste que estréia hoje

Mais uma obra da Marvel

Notas Musicais Thiago Lustosa 28 de abril de 2016 20:14h

Assim como aconteceu com o recente sucesso Batman vs Superman: A Origem da Justiça, o esperado Capitão América: Guerra Civil, dirigido pelos irmãos Joe e Anthony Russo, basicamente trata da responsabilidade que os super-heróis têm perante o mundo. Seriam eles defensores da humanidade ou apenas vigilantes que, usando o enorme poder que possuem, fazem justiça com as próprias mãos e se intrometem irresponsavelmente nas questões do resto do planeta? A nova produção dos estúdios Marvel pega o mote deixado no final deVingadores - Era de Ultron. Os Vingadores estão meio dispersos, mas ainda dispostos a lutar por alguma causa justa. Depois de uma catastrófica ação em Lagos, Nigéria, Thaddeus Ross (William Hurt), o Secretário de Estado dos Estados Unidos na ONU, diz aos heróis que agora eles precisam seguir as regras e se sujeitarem às leis internacionais. Assim, teriam que assinar um termo de compromisso chamado Tratado de Sokovia, que limitaria a ação deles. Ross aponta que o grande problema são os chamados “danos colaterais”: quando os Vingadores entram em ação, dezenas de inocentes são mortos ou mutilados na destruição de grandes centros, onde prédios são arrasados e automóveis são arremessados como bolinhas de papel.

Com isto, acontece o racha. Tony Stark/Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), ainda se sentindo culpado de ter criado involuntariamente o poderoso e maléfico Ultron, decide capitular, se tornar “responsável” e seguir as regras. Mas o idealista Steve Rogers/Capitão América (Chris Evans), que não tem as ambiguidades morais do colega, não está tão certo de que os heróis necessitem de controle. James "Bucky" Barnes, conhecido como Soldado Invernal (Sebastian Stan), velho amigo renegado do Capitão América, é envolvido em um ataque terrorista na Áustria. O Capitão investiga o que aconteceu e descobre que por trás disso existe um nebuloso plano de dominação mundial tramado pelo misterioso Helmut Zemo (Daniel Brühl). O Capitão decide pegar seu escudo e resolver as coisas do jeito que acha certo, sem se importar com regras ou tratados. É claro que, com esta nova situação, o Homem de Ferro e o Capitão América vão declarar guerra um ao outro.

É um prazer ver quem fica do lado de quem nesta guerra civil de super-heróis. No time do Homem de Ferro estão James Rhodes/Máquina de Combate (Don Cheadle), Natasha Romanoff/A Viúva Negra (Scarlett Johansson), Visão (Paul Bettany), T'Challa/Pantera Negra (Chadwick Boseman) e o recém-recrutado Peter Parker/Homem-Aranha (Tom Holland), que finalmente retorna para o nicho dos heróis da Marvel. Do lado do Capitão estão Wanda Maximoff/Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen), Sam Wilson/Falcão (Anthony Mackie), Clint Barton/Arqueiro (Jeremy Renner) e Scott Lang/Homem Formiga (Paul Rudd). Resta saber se eles vão se destruir antes que o vilão Zemo destrua o mundo – se é que este é realmente o plano original dele.


O roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely é cheio de tramas inteligentes, reviravoltas e surpresas, mas esses não são os únicos méritos. Os diálogos e caracterizações permitem que os personagens sigam vitais, críveis e interessantes até quando estão fora dos uniformes e longe das intensas cenas de ação. Mesmo com cerca de duas horas e meia, nada parece supérfluo no filme. A longa duração é necessária para que todo mundo tenha o seu lugar na trama. As sequências de luta são vigorosas e o clímax acontece quando os times antagonistas de heróis se enfrentam de forma espetacular em um porta-aviões na Alemanha.

Desta vez, Thor e o Hulk não aparecem, mas os novos heróis compensam a falta deles. Naturalmente, muita gente vai ficar ligada nas aparições do Pantera Negra e do Homem-Aranha, que são novidades dentro da franquia. E vale a pena. Como T'Challa, o príncipe de Wakanda que se transforma no Pantera Negra, Boseman traz dignidade e estilo à equipe de defensores da lei. Já Holland é o Homem-Aranha sob medida, o adolescente nerd e falante do Queens que se sente deslumbrado e atordoado aos entrar sem muito preparo no mundo dos poderosos defensores da lei. Mas, sem dúvida, o coração e alma do filme são Evans e Downey Jr. Em grandes interpretações, eles defendem os personagens com garra e conhecimento de causa. Cada um tem suas razões e motivações e fica impossível torcer para um ou para outro. O Homem de Ferro e o Capitão América são irmãos de luta jogados em meio a uma situação em que não há controle. O final é um tanto melancólico, mas os conflitos que ficaram no ar certamente serão resolvidos nos próximos filmes da saga.